Metalúrgicos de Cascavel lançam campanha de combate à violência contra a mulher
Além da conscientização, objetivo da campanha é incluir nos acordos coletivos um termo onde as empresas, junto com os trabalhadores e dirigentes sindicais, se comprometem a desenvolver ações de suporte e proteção para as mulheres vítimas de assédio e violência
Na véspera do mês de março, onde se celebra o Dia Internacional da Mulher, o Sindicato dos Metalúrgicos de Cascavel, lança a campanha “O SILÊNCIO MATA”, de enfrentamento à violência contra a mulher. Além da conscientização nas fábricas, o objetivo principal é incluir nos acordos coletivos um termo onde as empresas, junto com os trabalhadores e dirigentes sindicais, se comprometem a desenvolver ações de suporte e proteção para as mulheres vítimas de violência doméstica, assedio sexual e moral.
O objetivo é promover um ambiente seguro de trabalho para as mulheres através de ações corporativas que inibam todos os tipos de assédio, assim como deem suporte às trabalhadoras vítimas de violência doméstica. Não se pode ficar quieto diante de casos de assédio e violência. Por isso o nome da campanha “O Silêncio Mata”. Ao promover tanto o acolhimento como o encorajamento, se cria condições para que a mulher que passa por esse tipo de situação possa se libertar.
Para divulgar a iniciativa, o Sindicato estará nas fábricas conscientizando os trabalhadores com dados sobre a violência contra a mulher e fazendo o lançamento da campanha. O calendário das atividades você confere em breve.
Números Alarmantes:
Nos últimos 20 anos, a violência contra a mulher passou a fazer parte do debate público como prática que não deve ser tolerada ou legitimada. Ainda assim os números recentes são alarmantes.
- Brasil registra recorde de feminicídios em 2025
- Quatro mulheres são assassinadas por dia
- Em 2024 foram contabilizados 71.892 casos de estupro, o que equivale a uma média de aproximadamente 196 casos por dia, mais de 8 mulheres e crianças a cada hora
- Mais de 1400 medidas protetivas urgentes foram concedidas diariamente
- Em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país
- O Brasil ficou entre os países com maior índice de homicídios femininos no mundo: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações.
- O aumento das mortes de mulheres vai na contramão dos números nacionais que mostram queda nas mortes violentas intencionais
Ainda que os números mostrem uma situação grave, o que eles não mostram compõem um cenário mais amplo que é ainda mais cruel e duro do que nos dizem os registros oficiais. Isso porque, quando falamos de violência de gênero, falamos de um fenômeno que continua sendo marcado por subnotificação, silêncio e na turalização social.
(Fonte: 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2024) IPEA e Ministério da Saúde, Ministério das Mulheres, Agência Brasil)
O que diz a lei brasileira
Feminicídio:
Há 10 anos, em 2015, o Brasil promulgava uma lei que incorporava a noção de que a violência de gênero é um fenômeno estrutural e de que mulheres são mortas por serem mulheres (Lei n. 13.104/2015).
Esse tipo de crime ganhou o nome de feminicídio, que é diferente do homicídio comum por considerar o contexto de discriminação, dominação e violação de direitos que marca as relações de gênero.
Pela legislação brasileira, o feminicídio está configurado quando a morte de uma mulher ocorre no contexto de violência doméstica e familiar ou em razão do menosprezo ou discriminação à condição de mulher, ou seja, não se trata apenas de um crime contra a vida, mas de um crime com motivação baseada em gênero, o que o torna um crime de ódio.
Em 2024, tivemos uma mudança 146 Sumário de Segurança Pública Anuário Brasileiro 2025 legislativa, com a promulgação da Lei n. 14.994, que transformou o feminicídio em crime autônomo - antes ele era uma qualificadora do crime de homicídio doloso.
Violência contra a Mulher
A violência contra a mulher não é só física. A Lei Maria da Penha, de 2006, classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias:
• violência patrimonial • violência sexual • violência física • violência moral • violência psicológica
É importante evidenciar essas formas de violência que antes estavam "escondidas".
Avanços?
Os avanços legislativos são uma grande conquista dos movimentos de mulheres, mas as políticas públicas implementadas para garantir seu cumprimento ainda se mostram frágeis. Permanece o desafio em garantir que as mulheres em situação de violência de fato tenham acesso à Justiça.
Estou sendo vítima de violência ou conheço alguém que é. O que devo fazer?
- Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) – Focado em ouvir a demanda recebida e adotar o procedimento mais adequado para o caso
- Ligue 181 (Disque denúncias) - A própria ligação já serve como um registro administrativo que possibilita a instauração de um processo investigatório
- Boletim de Ocorrência - Registre um boletim de ocorrência, ele implicará na instauração de um processo investigatório.
As vantagens da instauração deste procedimento são as medidas protetivas para a mulher que são aplicadas após a denúncia de agressão. Cabe ao juiz determinar a execução das mesmas em até 48 horas após o recebimento do pedido da vítima ou do Ministério Público, caso elas sejam urgentes.
IMPORTANTE: Sinal de pedido de socorro feito com as mãos: Conhecer um gesto simples pode salvar vidas
Muitas mulheres não conseguem pedir auxílio por estarem na presença de seus agressores. Isso levou à criação de um gesto internacional para pedidos de socorro relacionados à violência contra a mulher.
O sinal por ajuda significa: "Preciso de ajuda, violência baseada em gênero".
O gesto é feito em três etapas: a vítima levanta a mão com a palma voltada para fora, dobra o polegar e, por fim, fecha os outros dedos sobre ele. A palma da mão deve apontar para a pessoa a quem se pede ajuda. Confira na imagem ao lado.
No Brasil também vem se popularizando a marcação de um “X” na palma da mão da vítima para pedir socorro em casos de violência doméstica.
Lembre-se: todos podem denunciar um caso de violência contra a mulher, fique atento aos sinais, você pode salvar uma vida!
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